Panna Cotta com creme de amarula

Escrito por Lulubs

Compartilho com vocês, depois de mais de um ano de silêncio*, a receita daquela que é, definitivamente, minha sobremesa favorita.

Panna cotta é um negocinho muito versátil e fácil de fazer, desde que você tenha paciência para esperar o tempinho (5 horas) que ela precisa para refrigerar. Você pode combiná-la com diferentes frutas, geleias, caldas. Esta, que eu inventei hoje, é o seguinte: panna cotta tradicional sobre uma caminha de lascas de amêndoas e coberta com creme de amarula.

Aí vai:

Panna Cotta – simples, simples!

500ml de creme de leite fresco – aquele que fica no refrigerador do supermercado =)

2 folhas de gelatina sem sabor incolor (ou duas colheres de chá, se você comprar a gelatina em pó)

100g de açúcar

E agora, o que eu faço?

Dissolva a gelatina em um pouquinho de água fria e reserve. Enquanto isso, junte o creme de leite ao açúcar e leve ao fogo brando até começar a ferver. Ferveu? Misture a gelatina. Pronto.

Agora, separe umas 10 forminhas de silicone (dessas de cupcake), molhe-as em água fria e escorra – não seque. Despeje aquela mistura que você acabou de fazer nelas e leve-as para a geladeira. Só 5 horinhas.

Enquanto você espera, dá tempo de dar uma corridinha, ir ao cabeleireiro, ler um livro, ver a trilogia do Senhor dos Anéis e… fazer a cobertura =)

Creme de Amarula

Meia garrafa de licor de Amarula.

1 colher de sopa de Maizena

Dissolva a Maizena em um pouquinho do licor frio e reserve. Aqueça o restante para que libere um pouco do álcool – assim fica mais leve. Eu vou provando até ficar do meu gosto.  Aí, misture a Maizena e mexa o tempo todo por mais um minutinho. Leve para gelar. Sim, precisa estar beeem gelado.

Bom, com as amêndoas não tem segredo. Você compra amêndoas em lascas – uns 100g é suficiente –  e as aquece em um frigideira antiaderente até ficarem douradinhas. Mexa o tempo todo e bem rápido, senão elas queimam, ok?

Montagem

5 horas depois…hora de montar a sobremesa!

Faça uma caminha com as amêndoas. Desenforme a panna cotta e a coloque sobre as amêndoas. Cubra com o creme de Amarula. Uma cerejinha por cima, por favor.

A foto ficou tosquinha porque tirei com meu celular tosquinho. Mas acredite na receita! Aposto que você vai viciar em panna cotta, como eu.

*2012: volto a cozinhar e a escrever, como prometido, Dani, Bê e Pipoca =)

Uma bebidinha de verão para o nosso inverno

Escrito por

Nossa… Há quanto tempo este blog está assim? Sem notícias novas? Nem foi pela falta delas, por que muitas coisas aconteceram desde o meu último post. Viajei de férias, mudei de emprego, comi muuuitas coisas gostosas, conheci mais lugares bacaninhas em São Paulo, aprendi a fazer coisas boas na cozinha (especialmente depois da minha amiga Jú, que é a minha chef preferida, esteve aqui em casa), montamos o aniversário anos 80 da Lulubs e nenhuma dessas coisinhas novas veio parar aqui AINDA.

Então, pra começar, sem a pretensão de escrever nada muito importante e apenas para dar uma pausa no trabalho de “escola”, resolvi contar de uma coisa super simples, refrescante, gostosa que eu conheci na minha última viagem.

Strawberry Lemonade

Então este aí do lado é o STRAWBERRY LEMONADE. É claro que isso deve existir aqui no Brasil. Mas eu não conhecia até a última viagem de férias, quando fomos com uma turma de amigos pra Orlando e Nova Iorque. É que eu detesto aqueles sucos de laranja de caixinha com gosto de laranja estragada que os americanos adoram  e lá você não encontra com facilidade lugares onde os sucos podem ser feitos na hora. Daí, uma amiga nossa achou essa bebida no cardápio. Como ela era bem popular, acabou sendo pedida várias vezes e em vários lugares. Na ausência dos sucos bons, essa foi a melhor opção encontrada na viagem  para matar a sede e não se entupir apenas de refrigerante.

Ele é uma mistura de limonada com morango, mas leva um pouquinho de sprite ou água gasosa. Como dizem por aí, é uma bebidinha de menina, refrescante e colorida e, em princípio, fácil de fazer.

Junte num copo alto e grande alguns bons morangos amassados com gelo moído, igual caipirinha + um copo de água gelada + um copo de sprite + gelo moído + ½ copo de suco de limão + gelo moído + um pouquinho de açúcar + um super canudo + ¼ de limão para enfeitar a borda e pronto: “Muito prazer, eu sou o Strawberry Lemonade”.

A questão é que se você não tiver uma máquina de moer gelo ou gelo já moído em casa, já era. Bater o gelo no liquidificador não funciona.

É, eu testei. E nessa hora me deu saudade daqueles brinquedos de criança, de fazer sorvete, que moía gelo e você misturava com groselha, sabe? Enfim, se você tiver um desses guardados também serve.

O mais engraçado é que a gente só pode fazer esse tipo de bebida aqui no inverno, já que só nos meses de junho e julho encontramos morangos para comprar. Aliás, tem fruta mais gostosa do que essa?

Ratatouille

Escrito por Lulubs

Hoje é meu aniversário e meu presente para os leitores do ECDB é, como não poderia deixar de ser, uma receita, sempre uma das minhas preferidas: Ratatouille, um prato provençal bastante tradicional, que pode ser preparado de várias formas, desde que não faltem berinjelas e tomates.

Para vocês, a minha versão, que leva também abobrinha e pimentões. Espero que gostem =).

Ingredientes*

*Serve 6 pessoas

1 cebola de tamanho médio.

1 pimentão vermelho e 1 pimentão verde sem sementes. Escolha pimentões não muito grandes e de tamanhos parecidos.

2 berijelas (eu prefiro as japonesas).

2 abobrinhas (eu prefiro as italianas) .

5 tomates grandes sem sementes. Você pode usar o italiano ou outro que esteja bem maduro.

60 ml de azeite extravirgem.

Folhas de manjericão e de tomilho frescos.

Sal e pimenta do reino (moída na hora)

Como faz?

Pique todos os legumes em pequenos cubinhos, de mais ou menos meio centímetro.

Em uma panela grande, coloque o azeite e a cebola – você pode usar alho também, mas eu não uso alho em nada (odeio!). Deixe a cebola fritando até que ela murche.

Acrescente os pimentões, a berinjela e a abobrinha e vá mexendo com cuidado para que eles refoguem por igual, até ficarem macios. Eles não podem cozinhar demais, então isso deve durar uns 10 minutos, dependendo do seu fogão.

Junte o tomate e deixe aquecer por no máximo uns 5 minutos – não queremos um molho de tomates; eles precisam ficar com sabor de fresco.

Acrescente o manjericão e o tomilho, o sal e a pimenta. Retire do fogo, regue com um pouco mais de azeite e sirva! O ratatouille é um bom acompanhamento para carnes.

_________________________________________________________________________________

Ps: Desculpem pelos últimos posts sem fotos. Adquirir uma câmera é minha meta para junho de 2010.

[...]

Escrito por Lulubs
Não preciso dizer que comer para mim é mais que satisfazer uma necessidade, é a satisfação de um desejo, da qual não abro mão por nada, exceto…
… exceto quando algo me dá um prazer à altura. Como acontece com momentos que você quer saborear devagar, como em algumas conversas que te surpreendem quando você menos espera, às vezes doces, como um vol-au-vent, às vezes quentes como um chocolate com pimenta…
São conversas inimigas de relógios, de rótulos e de ouvidos alheios. Conversas que, infelizmente, são também inimigas de calendários, pois são raras. São quase como anos bissextos, mas sem data marcada. Será que isso reforça ainda mais esse tom especial que elas têm?
Acho que sim, mas o que mais me encanta nelas é o quanto são capazes de fazer com que você descubra mais sobre você, sobre o que te move e pra onde você está se movendo.
E aí, de repente, percebo que estou há muito tempo sem comer e que não sinto fome, aliás, que não tive vontade de comer. É como se o momento fosse tão envolvente, que cada frase satisfizesse, saciasse, ao mesmo tempo em que te deixa com a sensação de que queria mais, que precisava de mais, para dizer as coisas que queria dizer, que não ousa dizer…
Concluo que certas palavras precisam de estímulos para serem pronunciadas. E nada mais estimulante que um bom café.

Something about me

Escrito por Lulubs
Posso falar aqui uma coisa que não tem nada a ver com comida?
Como vou fazer aniversário em alguns dias, estou narcisista e quero falar de mim, da minha ansiedade, de como eu choro por coisas bobas, do quanto me emociono com as expressões dos rostos desconhecidos na rua, das expectativas que crio todos os dias e de como é difícil me desfazer delas.
Quero falar também do quanto gosto de cheiro de livro novo, de flores no meu quarto, de banhos muito quentes… de como eu odeio microondas e do quanto eu queria ser a garota daquela música de que você gosta, aquela que você está procurando.
E que, sim, nós somos parecidos… e queremos o mesmo.

Pão caseiro de mandioquinha

Escrito por Lulubs

Aqui na minha casa nós temos uma receita de pão que sempre dá muito certo. Fica realmente deliciosa.
Resolvi trazê-la aqui para o ECDB por dois motivos:
1. Ela é uma terapia para os olhos e para as mãos. Realmente não me conformo com as pessoas que compram máquinas para pão. Amigos, acreditem em mim: as máquinas roubam de você a MELHOR parte de se fazer o pão, que é sová-lo.
2. Uma pessoa especial me pediu esta receita há algumas semanas. Acho que essa pessoa não é muito chegada à cozinha, mas sei que tem potencial…rs. Depois me conta se deu certo.

Ingredientes

2 tabletes de fermento biológico fresco (15g cada)
3 colheres de sopa de açúcar
1 quilo de farinha de trigo
3 ovos
200g de manteiga sem sal em temperatura ambiente.
1/2 quilo de mandioquinha salsa (também conhecida como batata baroa, cenoura amarela) cozida.
Sal a gosto. Aqui, usamos uma colher (de sopa) rasa.

Como eu faço?

Antes de pôr, de fato, a mão na massa, bata a mandioquinha com a manteiga no liquidificador, até que fique parecido com uma papinha.
Prepare o fermento: coloque todo o açúcar sobre ele e vá misturando até que ele se dissolva por completo.
Agora, vai começar a parte bacana: despeje a farinha em uma vasilha grande o suficiente para dar a você liberdade para movimentar as mãos. Faça um buraco no meio da farinha e coloque dentro o fermento que você preparou, os ovos inteiros, a sua mistura de mandioquinha com manteiga e o sal.
Coloque sua mão no centro do vulcão de farinha – se você nunca fez isso, pode parecer um pouco estranho no começo, mas acredite em mim, você vai gostar – e vá misturando tudo com movimentos circulares, de dentro para fora. Siga fazendo isso e, antes que você perceba, terá uma massa linda e homogênea! Agora é hora de sová-la.
Tire a massa da vasilha e coloque-a sobre uma superfície (pia ou mesa) enfarinhada.
Sovar uma massa é basicamente amassá-la, apertá-la com a firmeza certa. Homens, pensem na massa como uma mulher: vocês devem dar às suas mãos ao mesmo tempo força e suavidade. Vocês tirarão isso de letra. 
Faça isso por 15min. Você vai sentir que a massa mudou de textura. Se ela estiver muito mole, jogue mais farinha até que ela fique bastante maleável, mas não pegajosa.
Divida a massa em três partes iguais. Com um rolo de macarrão, abra cada uma das partes em formato retangular e comece a enrolá-la pela ponta até formar um pão.
Unte e enfarinhe uma forma grande, retangular, e coloque sobre ela os três pãezinhos, bem distantes uns dos outros. Cubra a fôrma com um tecido, deixando-a, preferencialmente, em um local quentinho. Espere os pães crescerem até dobrarem de tamanho. Asse-os em forno médio por 45min ou até que fiquem dourados.

Coma quentinho, com muita manteiga. Sirva um chocolate quente para acompanhar ou um bom café ou qualquer outra coisa que fizer você feliz.
Depois eu passo aqui para trazer a receita do meu chocolate quente. Ele vai aquecer você nos dias frios que estão por vir.

Não sabe checar se o pão cresceu?

Uma dica: antes de enrolar os pães, separe uma pequena bolinha de massa. Quando terminar de enrolá-los, jogue essa bolinha em um copo com água em temperatura ambiente e espere – sim, tenha paciência. Quando a bolinha subir e começar a boiar, o pão está pronto para ser assado.

Sobre vícios

Escrito por Lulubs

É uma da manhã e minha insônia me pediu para ligar o computador e dividir uma coisa com você. Não espere muito: éapenas uma confissão, dessas que a gente faz na madrugada.

Aqui vai: eu reparo na forma como as pessoas comem.

Ok, isso não é legal. Não deixa a pessoa à vontade, pode parecer que você está de olho na comida dela, essas coisas. É um vício, assumo. Mas faço isso com um propósito: encontrar pessoas especiais.

Você concorda que não tem nada mais irritante do que quem come como se estivesse fazendo um favor a alguém, com aquela boca mole? Isso é brochante. Essas pessoas definitivamente não são especiais.

As pessoas especiais sentem um VERDADEIRO prazer em comer. Uma pessoa assim, quando come algo de que gosta, move a boca devagar, como se quisesse distribuir o sabor igualmente para cada papila gustativa. Esse movimento às vezes é acompanhado por um lento abrir e fechar de olhos e uma mudança na respiração, que fica mais lenta, como se para prender nos pulmões a lembrança daquele cheiro.

Essa cena me transmite tanta emoção, que eu fico meio que parada naquele momento, quase sentindo o sabor daquela mordida. É delicioso observar, é quase obsceno.

Quando essas pessoas comem, eu entro em êxtase. E Dionísio bate palmas.

Ps.: Não se preocupe se um dia for almoçar comigo. Eu sou discreta. Você não vai ficar constrangido.

Que sabor faz você feliz?

Escrito por Lulubs
Às vezes me pego imaginando qual aroma faria você fechar seus olhos por um breve instante e desejar provar aquele sabor. Qual sabor colocaria um sorriso nos seus lábios, faria você feliz.
Seria o cheirinho de um pão assando no calor de uma manhã de domingo, de uma torta de chocolate que derrete os pensamentos ou de um simples café, quente, intenso?
É estranho desejar tanto alguém que, no fundo, você não conhece direito. Fico tentando adivinhar, por horas, o que você está fazendo agora, o que gosta de ler, que música o faz se sentir mais vivo, o que o faz rir, o que dói em você.
Essa imagem que tento tanto construir, para ver você completo, insiste em evaporar toda vez que tento falar com você e as palavras me fogem. Mas se reconstrói quando estou sozinha, perdida em pensamentos, quando cozinho algo e quase vejo você ao meu lado, me contando como foi seu dia e provando, devagar, cada pedaço daquilo que me faz feliz.

Para você que gosta de comer

Escrito por Lulubs

Um recado para você que gosta de comer: não tire seus dentes do siso, ok? O único gosto que você vai sentir, depois que a anestesia passar, é claro – porque até lá você sequer vai conseguir engolir -, é de sangue. Depois disso, vai começar a sentir gosto de sopa e suco… e só. Nada de pão, torta, nada de chocolate.

E nem adianta ter a grande ideia de fazer um caldo gostoso, uma sopinha nutritiva. Você vai sentir tanta dor de cabeça que não vai querer levantar da cama. Eu dormi por 5 horas depois de chegar do dentista e nesse tempo fiquei sonhando com todas as coisas maravilhosas que eu gostaria de comer.

Se você vai passar por isso e também sofre por comer mal, como eu sofro, sugiro que você faça suas sopinhas deliciosas e as congele antes da cirurgia. Ou então, ficará refém de um (a) namorado/pai/mãe/amiga/irmã que talvez não tenha sido agraciado com os mesmos dons culinários que você. Aí, minha amiga, sua vida vai ficar ainda pior.

Ok, ok. Uma semana passa rápido. E, tentando ser otimista, talvez ela passe e leve embora alguns quilinhos que estão sobrando há algum tempo já. De repente, cirurgia do siso vai ser o novo preto. Imagina só, você vai ao nutricionista e ele te recomenda: “Para o seu caso, que é simples, basta retirar apenas um dente do siso”. Ou então: “Olha, minha querida, sugiro que você retire os 4 dentes de uma vez e procure fazer umas orações também. Isso pode ajudar”.

Sorte para você que vai retirar seus dentes do siso: que o processo seja com pouca dor ou poucos quilos!

Tchau, tem uma sopinha Vono me esperando!

O azedo do tempo que não passarinho.

Escrito por

Dias cinza são como limões azedos, os dias cinzas deviam azedar os meus cadernos. Coisas azedas a gente joga fora…. sinal que já está estragado. Mas enquanto as coisas ainda não se estragaram e enquanto eu ainda não estraguei as coisas, segue um poema bonitinho pra animar o dia:

“Meus versos bem-te-vi, pardal chocou…
e bem que eu vi no ninho um tico-tico
que guardava a poesia no seu bico
como quem guarda o sonho que encontrou.

Meus versos sabiá – mamão maduro -
comida de sanhaços e rolinhas
nos pomares-sonetos de “abobrinhas”
que arranco do meu lado mais escuro.

Meus versos pica-pau de bananeira
que já deu flor e frutos aos poetas
canários, curiós e beija-flores,

procuram descrever de outra maneira
sem preocupar se as formas são corretas
ou se a poesia exige novas cores!”

Nathan de Castro

Também vale citar um verso de Mário Quintana que eu adoro, aliás, aprendi esse verso ainda bem pequena e só há algum tempo descobri de quem era:

“Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!”