Por: Daniel*
Ao contrário daquelas pessoas que só conhecem o Dani fã de cultura pop, música obscura, cinema e um bom boteco acham, eu sempre adorei cozinhar e sempre fiz isso desde muito pequeno. Estudei Turismo no inÃcio desta década pensando em, um dia, fazer algo bacana nessa área.
Casei, fui embora de SC, cheguei a Curitiba de pára-quedas num esquema de publicidade alternativa, fazendo finalização para jobs com o deadline estourado há semanas, um lance meio kamikaze para quem era recém-casado e já tinha uma enteada de 2 anos no pacote.
Com quase dois anos de enxaquecas tilintantes na moringa, resolvi colocar um ponto final nessa folia e procurei algo mais prazeroso – com todo respeito aos profissionais da comunicação – matriculei-me num dos cursos mais badalados da área gastronômica curitibana e desse dia em diante tudo mudou. O tempo livre que servia pra garimpar discos nos sebos era ocupado com horas infindáveis nas livrarias da cidade, caçando toda literatura culinária que os bolsos comportassem. A cerveja com os amigos agora dera lugar às experiências eno-gastronômicas e as idas aos showzinhos deram vez às visitas aos bistrôs, cantinas, restaurantes e toda sorte de lugares que tivesse comida boa e cheirosa.
E, assim, um catarinense de pouco mais de 3 meses de curso já estava trabalhando num dos bistrôs mais cultuados da galera da capital paranaense e, dali em diante, rodaria os principais restaurantes da cidade.
Certa vez, fui contratado para chefiar uma cantina italiana que tinha sido inaugurada havia pouco tempo. Meu patrão havia me adiantado que eu comandaria uma equipe de 5 mulheres, que todo o staff da casa era feminino e que eu seria o único homem. Lá fui eu!
Quando cheguei, no meu primeiro dia, deparei-me com a missão de chefiar um bando de titias, titias da minha mãe e tias-avós. Num dia fraco de movimento na cantina, uma delas estava num canto mudando de cor: verde, azul, bege, laranja… ela ia mudando de cor a cada cinco minutos. Então perguntei o que ela tava sentindo e Dona Jô me disse que estava mal do estômago. Indiquei-lhe as casas de banho (como se chamam os banheiros em Portugal) e disse que ela podia ficar lá até que a natureza desse jeito naquele arco-Ãris que eu presenciei. Mas ela disse que não estava conseguindo resolver o problema. Tive, então, que tomar medidas drásticas: sugeri ao nosso garçom que buscasse uma dose de Underberg e enfiamos na goela da titia colorida.
Em cerca de cinco minutos Dona Jô corre, num pinote atlético, para o banheiro e lá permanece pelos intermináveis 50 minutos seguintes. Esse banheiro em questão tinha uma abertura para vazar o vapor dos banhos que ficavam na direção do vaso sanitário. E ,num lampejo quase eclesial, resolvi encher um copo de água gelada e tacar pela abertura, enquanto Dona Jô ainda estava nos trabalhos. Ouvimos um urro lá de dentro meio segundo depois disso. E desde então Dona Jô não voltou mais à Cantina e não existiram relatos de outros funcionários que tenham feito o número 2 durante a minha permanência nessa cantina também.
Desenvolvo um estudo que indica, com eficácia, uma dose de Underberg e um copo de água gelada no tratamento de dores estomacais.
* Daniel (cooking@gmx.co.uk) é Chef de Cuisine, mora na Inglaterra, não gosta de cozinhar com receita e adora uma cerveja gelada.









Cheez!