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Escrito por Lulubs
Não preciso dizer que comer para mim é mais que satisfazer uma necessidade, é a satisfação de um desejo, da qual não abro mão por nada, exceto…
… exceto quando algo me dá um prazer à altura. Como acontece com momentos que você quer saborear devagar, como em algumas conversas que te surpreendem quando você menos espera, às vezes doces, como um vol-au-vent, às vezes quentes como um chocolate com pimenta…
São conversas inimigas de relógios, de rótulos e de ouvidos alheios. Conversas que, infelizmente, são também inimigas de calendários, pois são raras. São quase como anos bissextos, mas sem data marcada. Será que isso reforça ainda mais esse tom especial que elas têm?
Acho que sim, mas o que mais me encanta nelas é o quanto são capazes de fazer com que você descubra mais sobre você, sobre o que te move e pra onde você está se movendo.
E aí, de repente, percebo que estou há muito tempo sem comer e que não sinto fome, aliás, que não tive vontade de comer. É como se o momento fosse tão envolvente, que cada frase satisfizesse, saciasse, ao mesmo tempo em que te deixa com a sensação de que queria mais, que precisava de mais, para dizer as coisas que queria dizer, que não ousa dizer…
Concluo que certas palavras precisam de estímulos para serem pronunciadas. E nada mais estimulante que um bom café.

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