Boca Aberta

Ah, vai, conta sua história para a gente! Se você também é apaixonado por comida, cozinha e restaurantes, temos certeza de que tem muita coisa para contar. Mande sua história, receita, simpatia. A gente publica aqui.

Cookie perfeito (sem quebrar a cuca)!

Escrito por admin

Por Juliana Fisher*

Olá,

Eu sou a Ju, amiga da Bê e do Zé, de Belo Horizonte e desde que esse blog existe estou devendo um post de convidada. Afinal, tomei vergonha na cara e estou aqui. E para o primeiro post (de muitos, espero) resolvi escrever sobre COOKIES, que fizeram bastante sucesso no final de ano aqui em casa e ainda não encontrei quem não gostasse.

Cookies de chocolate, gostosos e cheios de gotinhas…  O original, para surpresa de muitos, não leva chocolate na massa. E o mais interessante (e isso é surpreendente), diferente de bolo de chocolate, sorvete e quase todos os doces que amamos, o cookie ou mais especificamente o Chocolate Chip Cookie, o original que rendeu as centenas de variações, tem uma criadora e uma data de criação.

Ruth Graves Wakefield era dona de uma estalagem, a Toll House Inn, in Whitman, Massachussetes. Em um belo dia, lá pela década de 30, ela estava fazendo biscoitos amanteigados quando aconteceu um milagre (a única explicação para o resultado). Uma das histórias diz que uma barra de chocolate meio amargo Nestlé caiu da prateleira e se quebrou dentro da batedeira onde estava a massa do biscoito, outra diz que a Sra. Wakefield, em um momento de iluminação, resolveu picar a barra de chocolate e misturar os pedacinhos à massa. De qualquer forma, havia nascido neste dia o cookie de chocolate como o conhecemos.

Depois de alguns anos, a Nestlé lançou o chocolate em gotas começou a publicar a receita do cookie da Sra. Wakefield no verso da embalagem. Aliás, a receita é publicada até hoje e nos EUA a Nestlé tem uma linha chamada Nestlé Toll House que inclui, entre outros produtos, as gotas com a receita na embalagem.

Enfim, a receita estava lá eu tinha achado no site e tinha ficado gostosa. Mas só. Até que o NYTimes fez um artigo “A Busca pelo Chocolate Chip Cookie Perfeito” e descobriu que a receita está certa, mas faltava um pequeno detalhe…

A parte ruim é que este detalhe significa que você não pode comer o biscoito imediatamente após prepará-lo (até pode, mas aí ele estará muito bom e não perfeito). A parte boa é que você pode colocar a massa na geladeira e ir assando aos poucos (ela fica até 72 horas) ou congelá-la (inteira ou já em bolinhas). E a receita rende MUITO. A massa enche um pote de sorvete de 2L. Assado, enche dois potes.

Ah, o segredo: a massa fica mais úmida e saborosa depois de descansar 36 horas na geladeira (antes de assar). O pessoal do NY Times fez a experiência com 24hs (melhora, mas ainda não perfeito), 36hs (o ápice) e 48hs (não há diferença em relação ao de 36hs).

Enfim, passemos à receita.

Pronto para comer!

Chocolate Chip Cookies

Tempo: 45 minutos (mais pelo menos 24 horas de geladeira)

3 xícaras e meia de farinha + 2 colheres (sopa) de maizena

1 e 1/4 colher (chá) bicarbonato de sódio

1 e 1/2 colher (chá) fermento

1 e 1/2 colher (chá) sal

250 g de manteiga sem sal

1 e 1/4 xícara de açúcar mascavo

1 xícara + 2 colheres (sopa) de açúcar refinado

2 ovos grandes

2 colheres (chá) de essência de baunilha

1/2 kg de chocolate meio amargo picado ou em gotas

1. Misture a farinha, o bicarbonato, o fermento e o sal em uma tigela. Reserve.

2. Em uma batedeira, bata bem a manteiga e os açúcares até ficar bem fofo (o tempo varia de acordo com a batedeira). Adicione os ovos, um de cada vez, batendo bem depois de cada adição. Misture a baunilha. Reduza a velocidade da batedeira e adicione os ingredientes secos (menos o chocolate) e misture até desaparecerem as bolinhas de farinha. Desligue a batedeira e misture o chocolate. Cubra com filme plástico (pressione o filme sobre a massa, ele deve encostar nela) e leve à geladeira de 24 a 36 horas. Ela pode ser usada aos poucos e ficar até 72 horas na geladeira.

3. Pré-aqueça o forno em temperatura média. Não é necessário untar a forma (os biscoitos têm muita manteiga e não grudam).

4. Faça bolinhas com a massa (não precisam ficar perfeitas. Pode-se usar um pegador de sorvete) e coloque-as bem espaçadas na forma (pelo menos 10 cm entre uma e outra). Asse por 18 a 20 minutos, até ficarem de um tom marrom-dourado mas ainda macios. Deixe esfriar pelo menos 5 minutos antes de retirar da forma. Coma mornos, com um grande guardanapo.

Notas:
1 – A receita do NY Times sugere polvilhar um pouquinho de sal marinho sobre as bolinhas antes de assar. Isso é algo que ainda não experimentei, mas se alguém de sentir aventureira…

2 – Boa parte das informações (e a receita) foram retiradas deste site.

Congelar separadamente.

3 – Não use chocolate ao leite. Confie em mim: a massa do biscoito é MUITO doce.

4 – Para congelar sugiro o congelamento em aberto. Primeiro faça as bolinhas coloque uma ao lado da outra (quase juntas) em uma travessa e leve ao congelador. Quando elas estiverem duras, pode passá-las para um saco, pois não tem perigo delas colarem. Se for congelar a massa inteira (sem fazer as bolinhas) descongele-a na geladeira de um dia para o outro.

*Juliana Fisher é chef , formada pelo Senac/MG.

Desafio da Dobradinha: Música + Comida

Escrito por admin

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Por Cinthia Terra

Quem me conhece sabe que eu sou apaixonada por música, principalmente pelo bom e velho rock n’ roll.

Ouço música no mínimo 16 horas por dia. Logo quando acordo já coloco o fone no ouvido e, geralmente, quem me acompanha no café da manhã é o Meste Cartola.

Saio de casa e troco para os Rolling Stones e assim vai até o fim do dia, passando por diversos gêneros e bandas, aquelas que geralmente só eu gosto e ninguém nunca ouviu falar.

Sexta passada lembrei de uma música da Rita Lee que tem tudo a ver com o ECDB. É a receita de Macarrão com Linguiça e Pimentão que dá o nome à música. Aproveitei o passeio do final de semana à Cordeirópolis para experimentar o prato. É super simples de fazer, mas tive alguns impecilhos durante o processo. Ouvir a música no supermercado e pausando a cada ingrediente cantado, despejar o macarrão na água fervente e perceber que vários bichichos estavam fazendo do pacote o seu home! sweet home!. Ou, ainda, esquecer a p***a do caldo de carne. Isso que a Rita Lee não cansa de repetir “não se esquecendo do caldo de caaarne, em banho-maria…mariiaaaâ€. Mas, a experiência foi deveras agradável. Enfim, aprovado!

Que tal um desafio para o feriado que se aproxima? Faça o seguinte, baixe a música aqui e tente fazer essa receita. Depois, mande seus comentários para o site.

Macarrão Com Linguiça e Pimentão

Composição: Rita Lee – Arnaldo Baptista

Disco: Build Up / 1970

Meia xícara de chá de azeite

Duzentas gramas de lingüiça calabresa, ah

Uma cebola picadinha

E um pouco de salsinha

Quatro tomates batidos no liquidificador

Dois pimentões vermelhos

Duas colheres de sopa de massa de tomate

Um tablete de caldo de carne em banho-maria

Maria

Em fogo brando, uh

Maria

E está pronto para servir

O macarrão é caracol

Pouco sal e bem enroladinho

Não se esquecendo do caldo de carne

Em banho-maria

Maria

Em fogo brando, uh

Maria

E está pronto pra você!

E o melhor de tudo: não tem lactose!

A Lulubs uvai adorar esse desafio, não é?

Mãos e ouvidos à obra, baby! E NÃO ESQUEÇA DO CALDO DE CARNE!

Gastronomia em Joinville – Santa e Bela Catarina

Escrito por admin

rollmops*por Daiana Dalla Vechia

 

Aproveito o espaço para postar um roteiro gastronômico de uma cidadezinha no sul do país, conhecida pela mulherada bonita, balada  e proximidade do mar.

Joinville, em Santa Catarina, é uma excelente opção para festas gastronômicas: por ser uma cidade de colonização alemã, a cidade  possui vários restaurantes e bares típicos que são muito frequentados por turistas e por joinvillenses natos.

 

O primeiro destaque não poderia deixar de ser as Empadas Jerk. Apesar de famoso pelas suas empadas, o lugar possui o melhor bolinho de carne da região. É um ótimo lugar para um happy hour agradável com amigos, assim como um café da tarde com avós, tias e mães… Além da cerveja gelada, o local oferece o melhor Rollmops da cidade. Com certeza! Para que não conhece esse aperitivo típico, é preciso ter muita coragem para encarar, pois é um peixe enrolado com cebola em conserva. Isso, em conserva. Dizem os antigos que esse petisco deve ser acompanhado com Choco Leite bem gelado!!! Essa dose dupla aí não é fácil de encarar… O preço é muito bom, e a saideira sempre vem! Só que tem horário para fechar, então, chegue cedo.

 

Continuando com  os pratos típicos alemães, não posso deixar de citar o famoso bar do Zeppelin. O melhor Stammtisch da cidade. E eles tem uma linguiça no fogo que é uma loucura… porém, é preciso cuidar no preparo, pois pega fogo mesmo! Para quem não curte, sugiro um frango a passarinho acompanhado da cerveja Devassa… E para melhorar, assim como as Empadas Jerk, o preço é bem companheiro… só que a saideira… é difícil… bar de alemão mesmo!

 

Para jantar, a opção mais típica da cidade é o Biergarten. Dentre diversos pratos maravilhosos, sugiro a Hackerpetter. Com certeza, é a melhor da cidade, especialmente acompanhada com um chopp Eisenbanh! Num domingo à tarde, não tem lugar melhor para assistir aos jogos de futebol com um chopp bem gelado, e de lambuja, um Petit Gateau que é de lamber os dedos. E o melhor:  o preço está dentro do padrão de qualquer barzinho da cidade!

 

Para um sábado a tarde, nada melhor que o Botequim da Frau… lá você pode sentar a uma mesa na calçada, curtindo um solzinho. Em dias frios, peça um Caldinho de Feijão, que é escolha certa. A caipirinha também é dos deuses!

Para os que ainda precisam de mais opções, aí vão: Bolinho de abóbora com carne de sol… Misericórdia, dá até água na boca! Mas, para tudo isso, é bom preparar o bolso porque no Botequim da Frau o preço acompanha a qualidade.

 

Mein Gott, Mein Liebe, nem só de chuva vive Joinville. Além das opções gastronômicas, a cidade conta com uma cultura própria e bem peculiar. Pegando o caminho do “zarcoâ€, julho é o mês de dança na cidade. O maior festival de dança do Brasil começa na próxima semana. Mas, isso é assunto para um próximo tópico. Se você se interessou, venha para Joinville. Passando pela BR-101, vire a primeira chuva a direita e seja bem vindo a Cidade das  Flores, dos Príncipes, das Bicicletas e, agora, da Diversidade.

 

*Daiana Dalla Vechia é graduada em cultura de boteco, PHD em pedir a saideira e adora cair de boca. Nas horas vagas trabalha como Gerente de Projetos numa empresa de Joinville.

Eu, eu mesma e a intolerância à lactose…

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Por Cinthia Terra

É, minha gente. É isso mesmo que vocês leram: INTOLERÂNCIA À LACTOSE. Seria (ou é!) cômico se não fosse trágico.

Ok, posso estar fazendo um drama chamando esse problema de ‘trágico’. Mas só quem vai a uma sorveteria e toma sorvete de carambola em vez de uma saborosa e irresistível banana split sabe do que estou falando.

Flickr: Esther Kirby

Flickr: Esther Kirby

Já passei por poucas e boas, desde quando eu não sabia do que se tratava a dor no estômago, enjoo (ahá! novo acordo ortográfico mode: on) e azia e tomava litros e litros de LEITE com a esperança de que pelo menos a azia fosse embora. Doce ilusão.

Hoje em dia esse problema está definitivamente na moda, assim como as tais viroses. Engraçado que, antigamente, quando se acreditava que o leite era a maior fonte de cálcio e blábláblá, e era a maior fonte de alimentação das pessoas, ninguém ficava doente ou tinha qualquer tipo de disfunção.

Depois de conviver alguns anos com essa companhia, ou melhor, com a falta de companhia da lactase* acabei me acostumando. Vou a pizzarias ou sorveterias e não me importo em comer um sorvete à base de água ou uma pizza de nada com coisa nenhuma, só para fugir da lactose. Mas, veja você, tudo isso tem um lado bom: as pérolas que acabo ouvindo quando comento sobre a intolerância. Quer uma boa história? Então, lá vai…

Certo dia fui almoçar com a Lulubs, escolhemos um restaurante no itaim, bairro onde trabalhamos. Pedi uma salada e um filé de salmão grelhado. Quinze minutos depois chega meu pedido. Olho pro prato e comento com a Lulubs:
- Nossa, nem vi que tinha queijo na salada, vou falar com a garçonete.

- Ei, moça. Tem como tirar o queijo da salada?

- Mas é claro, só um momento.

Alguns minutos mais tarde ela volta. Olho o prato e avisto uma vasta camada de ricota.

- Moça, eu pedi para tirar o queijo da salada.

- Mas não é queijo, é ricota.

- …

Eu não disse que minha intolerância a lactose tem um lado divertido?

*Lactase: enzina que quebra a lactose (açúcar do leite).

Underberg: segredo do chef, alívio da cozinha

Escrito por admin
Flickr: Mozpkim

Flickr: Mozpkim

Por: Daniel*

Ao contrário daquelas pessoas que só conhecem o Dani fã de cultura pop, música obscura, cinema e um bom boteco acham, eu sempre adorei cozinhar e sempre fiz isso desde muito pequeno. Estudei Turismo no início desta década pensando em, um dia, fazer algo bacana nessa área.

Casei, fui embora de SC, cheguei a Curitiba de pára-quedas num esquema de publicidade alternativa, fazendo finalização para jobs com o deadline estourado há semanas, um lance meio kamikaze para quem era recém-casado e já tinha uma enteada de 2 anos no pacote.

Com quase dois anos de enxaquecas tilintantes na moringa, resolvi colocar um ponto final nessa folia e procurei algo mais prazeroso – com todo respeito aos profissionais da comunicação – matriculei-me num dos cursos mais badalados da área gastronômica curitibana e desse dia em diante tudo mudou. O tempo livre que servia pra garimpar discos nos sebos era ocupado com horas infindáveis nas livrarias da cidade, caçando toda literatura culinária que os bolsos comportassem. A cerveja com os amigos agora dera lugar às experiências eno-gastronômicas e  as idas aos showzinhos deram vez às visitas aos bistrôs, cantinas, restaurantes e toda sorte de lugares que tivesse comida boa e cheirosa.

E, assim, um catarinense de pouco mais de 3 meses de curso já estava trabalhando num dos bistrôs mais cultuados da galera da capital paranaense e, dali em diante, rodaria os principais restaurantes da cidade.

Certa vez, fui contratado para chefiar uma cantina italiana que tinha sido inaugurada havia pouco tempo. Meu patrão havia me adiantado que eu comandaria uma equipe de 5 mulheres, que todo o staff da casa era feminino e que eu seria o único homem. Lá fui eu!

Quando cheguei, no meu primeiro dia, deparei-me com a missão de chefiar um bando de titias, titias da minha mãe e tias-avós. Num dia fraco de movimento na cantina, uma delas estava num canto mudando de cor: verde, azul, bege, laranja… ela ia mudando de cor a cada cinco minutos. Então perguntei o que ela tava sentindo e Dona Jô me disse que estava mal do estômago. Indiquei-lhe as casas de banho (como se chamam os banheiros em Portugal) e disse que ela podia ficar lá até que a natureza desse jeito naquele arco-íris que eu presenciei. Mas ela disse que não estava conseguindo resolver o problema. Tive, então, que tomar medidas drásticas: sugeri ao nosso garçom que buscasse uma dose de Underberg e enfiamos na goela da titia colorida.

Em cerca de cinco minutos Dona Jô corre, num pinote atlético, para o banheiro e lá permanece pelos intermináveis 50 minutos seguintes. Esse banheiro em questão tinha uma abertura para vazar o vapor dos banhos que ficavam na direção do vaso sanitário. E ,num lampejo quase eclesial, resolvi encher um copo de água gelada e tacar pela abertura, enquanto Dona Jô ainda estava nos trabalhos. Ouvimos um urro lá de dentro meio segundo depois disso. E desde então Dona Jô não voltou mais à Cantina e não existiram relatos de outros funcionários que tenham feito o número 2 durante a minha permanência nessa cantina também.

Desenvolvo um estudo que indica, com eficácia, uma dose de Underberg e um copo de água gelada no tratamento de dores estomacais.

* Daniel (cooking@gmx.co.uk) é Chef de Cuisine, mora na Inglaterra, não gosta de cozinhar com receita e adora uma cerveja gelada.