Ausência

Escrito por Lulubs
Cozinhar para mim é sinônimo de entrega, de carinho, de um amor por satisfazer o outro. Cozinhar traz aquela alegriazinha tranquila, que acalma, que se inicia quando, num lampejo, decidimos “o que vai ter para o jantar” e se renova no sorriso daquele que se aventura por nossos pratos.
Minha cozinha sempre foi lugar de gente feliz, que acordava com o barulhinho insistente do café sendo moído às 9h da manhã de um domingo. Nela, eu dava mais sentido para as coisas: farinha, chocolate e ovos viravam abraços apertados, beijos urgentes.
Agora ela lembra tanto, que dói. Doem a cadeira vazia, o silêncio das manhãs e o café amargo que eu tomo sozinha. Dói o branco. Falta cor. Faltam sorrisos e aquele seu jeito de sempre botar mais tempero em tudo.

Hay que endurecerse pero sin perder la dulzura jamás

Escrito por Pipoca

Início de fevereiro… será que ainda posso falar sobre Amigo Secreto? Se considerarmos que o ano só começa depois do Carnaval, sim! Agora, se considerarmos que, para muitas pessoas (inclusive para mim), 2010 começou há muito tempo, nunca é tarde para falar sobre uma sobremesa deliciosa que tem tudo que ver com VERÃO!
Contextualizando… para quem se lembra dos posts do amigo secreto, um dos pratos degustados no dia foi o Manjar Cubano do Che Guevara.

¿Por qué?
Porque o agraciado com o doce foi o Che, que é comunista. E nada mais comunista do que Cuba.

¿Quién?
A doceira foi a odalisca Duli Tabule, ou melher, a @adilahawada, que não sabe fazer um quibe, mas sabe como agradar los hermanitos.

¿Cómo?
E essa é uma sobremesa deliciosa, que surpreendeu a todos, pois foi inédita. Nunca ninguém do grupinho havia testado ou experimentado.

Aquí está la receta!

Ingredientes
2 cocos ralados;
100g de açúcar;
2oog de abacaxi;
8 gemas;
60g de passas;
60g de amêndoas torradas;
60g de avelãs torradas;
150ml de creme de leite; e
2 copos de água.

Preparación
Coloque uma panela no fogo com dois copos d’água. Acrescente o açúcar e cozinhe em fogo brando até a mistura virar uma calda clara. Junte o coco ralado e o abacaxi (que deve ser picado grosso) e fique mexendo por 15 minutos. À parte, bata as gemas com o creme de leite e junte, aos poucos, ao coco, mexendo sempre. Cozinhe por 10 minutos em fogo baixo. Retire do fogo e coloque as passas (que devem ficar em molho em um pouco de água quente, antes), as amêndoas e as avelãs. Deixe esfriar e sirva.

Consejo de la cocinera
“Quanto ao preparo, achei que a consistência ficou um pouco mole, porque o coco soltou muita água. Não sou especialista em cozinha, mas aconselho usarem coco desidratado para que a massa fique mais consistente (tive q colocar no congelador pra pegar forma).”

Estupendo!

Torta de maçã

Escrito por Lulubs
Faz muito tempo que quero postar aqui uma das minhas receitas preferidas: torta de maçã.
Eu costumo fazê-la quando recebo visitas surpresa ou quando vou visitar alguma amiga. É uma receita simples, deliciosa e muito versátil.
Para fazê-la são necessários basicamente 3 passos: 1. Massa base (Paté Briseé); 2. Recheio (Creme Pâtissière); 3. Cobertura (Maçãs)
1. Massa base (Paté Briseé)
Essa é a famosa massa podre. Você vai aprender a fazê-la para a torta de maçã, mas na verdade pode usá-la para váaaaarias receitas, criando recheios e coberturas diferentes.
250g de farinha de trigo
25g de açúcar
uma pitada de sal
125g de manteiga sem sal gelada e cortada em cubinhos
1 ovo
2 colheres (sopa) de água gelada
Peneire juntos os três primeiros ingredientes. Acrescente a manteiga e vá incorporando-a à massa com pequenos beliscões, até que vire uma farofa úmida.
Acrescente o ovo e a água. Amasse com muita delicadeza apenas até formar uma massa. Você verá que ainda ficarão pedaços de manteiga. Essa é a ideia. Se você mexer demais na massa ela poderá ficar dura.
Embrulhe-a em filme plástico e leve-a à geladeira por no mínimo 30 min.
Após a massa ter descansado, você vai assá-la. E de um jeito muito fácil: corte pedaços da massa e pressione-os em uma forma de fundo removível (até 23 cm de diâmetro), uns ao lado dos outros, como num quebra-cabeças. Rápido e funciona muito bem.
Faça muitos furos com o garfo na massa (na parte de baixo e nas laterais) e leve-a ao forno baixo até que fique dourada.
2. Recheio (Creme Pâtissière)
Esse creme pode ser usado como recheio de vários doces (sonhos, tortas, bombas de creme).
4 gemas
80g de açúcar
40g de amido de milho
500ml de leite
1/2 fava de baunilha. Se você não tiver, substitua por 1 colher (café) de essência de baunilha.

Creme pâtissière após ir ao fogo

Bata na batedeira as gemas e o amido até que a mistura fique muito cremosa e clarinha. Fica quase parecida com um marshmallow molinho.
Ferva o leite com a baunilha. Assim que ferver, retire a fava (se for o caso) e vá despejando o leite aos poucos na mistura de gemas, mexendo sempre.
Volte a mistura pro fogo BAIXO (isso é muito importante, hein?). Vá mexendo sem parar até que ela cozinhe e engrosse, como na foto. Está pronta. Retire do fogo e reserve.
3. Cobertura (maçãs)
Eu faço a cobertura com maçãs cozidas, mas você pode utilizar frutas frescas, por exemplo, que é até mais rápido. Não recomendo usar as maçãs frescas porque elas costumam escurecer ao ficarem expostas.
2 maçãs fuji
açúcar
vinho branco
Corte as maçãs ao meio, retire o cabinho e as sementes. Pique-as em fatias com a casca mesmo. Leve-as ao fogo baixo numa frigideira antiaderente, polvilhe açúcar por cima e deixe-as no fogo até que a água que elas soltarão seque. Quando isso acontecer, jogue um pouco de vinho branco seco por cima, apenas o suficiente para quase cobrir as maçãs. Se segura, porque o cheiro e o ruído do vinho na frigideira quente são deliciosos. Quando o vinho secar, estão prontas.
Pode ser que você tenha que fazer esse passo umas duas vezes, porque geralmente não cabe toda a maçã na frigideira de uma vez.
Montagem

Torta de maçã prontinha :)

Coloque o creme ainda morno (é mais fácil de trabalhar com ele morno) sobre a massa assada. Distribua as maçãs em cima do creme, da forma que você achar mais bonito. Polvilhe canela por cima e voilà!

Sirva gelada.

We’ll always have Paris

Escrito por Pipoca

Seu desejo é um jantar romântico madrugada adentro e se sentir dentro de um romance de Proust adaptado por François Truffaut em terras tupiniquins? Pois isso é perfeitamente possível! Se não temos Sant Germain des Prés, ao menos temos o Jardins, onde está localizado o Paris6, um bistrot que funciona 24h. Isso quer dizer que sim, nós sempre teremos Paris, 24h por dia, como prometeu Humphrey Bogart!
Apesar do clima art noveau, a decoração é quase ousada. As molduras douradas não adornam pinturas provençais, e sim fotografias de São Paulo à Belle Époque em preto e branco. Até mesmo a tela da TV é aureamente moldurada.
O cardápio é gracieux. Lembra um jornal antigo e, além dos pratos com nomes franco-tupiniquins (uma combinação pitoresca, acredite), ainda traz um pouco da história do Bistrot e uma demonstração de amor. Quer conferir? Voilà!

Ainda não tive o prazer de degustar todos os pratos do menu, mas os poucos que experimentei estão mais do que aprovados.

Para um lanche no fim de tarde, recomendo o Croûte Froumage, o especial da casa, que é feito com pão italiano, cogumelos, queijo Emmenthal e molho bechamel. Um só dá pra duas pessoas não muito famintas e é uma delícia. A entradinha de queijo brie com damasco é uma delícia também para quem, como eu, adora essa combinação de sabores.

Agora, se o desejo é um jantar, a sugestão é o Riz de Canard, Orange et abricot a “Fernando Capez”. Sim, é um risoto de pato com um toque de laranja e damasco. (Havia também uma opção de Lapin Provençal, mas ainda não estou preparada psicologicamente para experimentar um coelho). É delicioso! Os garçons saberão sugerir um vinho para acompanhar.

Agora, a melhor parte: AS SOBREMESAS! Por enquanto, só tive a oportunidade de experimentar o crème brûlée e o petit gateau, ambos divinos. O crème brûlée é daqueles em que a casquinha se quebra a la Amelie Polain, sem estar queimada ou sem estar melecada, misturando com o creme. O petit gateau… sem comentários. É minha sobremesa preferida e faltam-me palavras para descrevê-lo.

Quer degustar essas sobremesas sem culpa? Pois veja se existe uma forma mais doce de ser solidário! Acessando o site agora há pouco, descobri que eles estão destinando 100%  do valor pago pelas sobremesas às vítimas do Haiti.

Bisou! Bon Appétit!

Cookie perfeito (sem quebrar a cuca)!

Escrito por admin

Por Juliana Fisher*

Olá,

Eu sou a Ju, amiga da Bê e do Zé, de Belo Horizonte e desde que esse blog existe estou devendo um post de convidada. Afinal, tomei vergonha na cara e estou aqui. E para o primeiro post (de muitos, espero) resolvi escrever sobre COOKIES, que fizeram bastante sucesso no final de ano aqui em casa e ainda não encontrei quem não gostasse.

Cookies de chocolate, gostosos e cheios de gotinhas…  O original, para surpresa de muitos, não leva chocolate na massa. E o mais interessante (e isso é surpreendente), diferente de bolo de chocolate, sorvete e quase todos os doces que amamos, o cookie ou mais especificamente o Chocolate Chip Cookie, o original que rendeu as centenas de variações, tem uma criadora e uma data de criação.

Ruth Graves Wakefield era dona de uma estalagem, a Toll House Inn, in Whitman, Massachussetes. Em um belo dia, lá pela década de 30, ela estava fazendo biscoitos amanteigados quando aconteceu um milagre (a única explicação para o resultado). Uma das histórias diz que uma barra de chocolate meio amargo Nestlé caiu da prateleira e se quebrou dentro da batedeira onde estava a massa do biscoito, outra diz que a Sra. Wakefield, em um momento de iluminação, resolveu picar a barra de chocolate e misturar os pedacinhos à massa. De qualquer forma, havia nascido neste dia o cookie de chocolate como o conhecemos.

Depois de alguns anos, a Nestlé lançou o chocolate em gotas começou a publicar a receita do cookie da Sra. Wakefield no verso da embalagem. Aliás, a receita é publicada até hoje e nos EUA a Nestlé tem uma linha chamada Nestlé Toll House que inclui, entre outros produtos, as gotas com a receita na embalagem.

Enfim, a receita estava lá eu tinha achado no site e tinha ficado gostosa. Mas só. Até que o NYTimes fez um artigo “A Busca pelo Chocolate Chip Cookie Perfeito” e descobriu que a receita está certa, mas faltava um pequeno detalhe…

A parte ruim é que este detalhe significa que você não pode comer o biscoito imediatamente após prepará-lo (até pode, mas aí ele estará muito bom e não perfeito). A parte boa é que você pode colocar a massa na geladeira e ir assando aos poucos (ela fica até 72 horas) ou congelá-la (inteira ou já em bolinhas). E a receita rende MUITO. A massa enche um pote de sorvete de 2L. Assado, enche dois potes.

Ah, o segredo: a massa fica mais úmida e saborosa depois de descansar 36 horas na geladeira (antes de assar). O pessoal do NY Times fez a experiência com 24hs (melhora, mas ainda não perfeito), 36hs (o ápice) e 48hs (não há diferença em relação ao de 36hs).

Enfim, passemos à receita.

Pronto para comer!

Chocolate Chip Cookies

Tempo: 45 minutos (mais pelo menos 24 horas de geladeira)

3 xícaras e meia de farinha + 2 colheres (sopa) de maizena

1 e 1/4 colher (chá) bicarbonato de sódio

1 e 1/2 colher (chá) fermento

1 e 1/2 colher (chá) sal

250 g de manteiga sem sal

1 e 1/4 xícara de açúcar mascavo

1 xícara + 2 colheres (sopa) de açúcar refinado

2 ovos grandes

2 colheres (chá) de essência de baunilha

1/2 kg de chocolate meio amargo picado ou em gotas

1. Misture a farinha, o bicarbonato, o fermento e o sal em uma tigela. Reserve.

2. Em uma batedeira, bata bem a manteiga e os açúcares até ficar bem fofo (o tempo varia de acordo com a batedeira). Adicione os ovos, um de cada vez, batendo bem depois de cada adição. Misture a baunilha. Reduza a velocidade da batedeira e adicione os ingredientes secos (menos o chocolate) e misture até desaparecerem as bolinhas de farinha. Desligue a batedeira e misture o chocolate. Cubra com filme plástico (pressione o filme sobre a massa, ele deve encostar nela) e leve à geladeira de 24 a 36 horas. Ela pode ser usada aos poucos e ficar até 72 horas na geladeira.

3. Pré-aqueça o forno em temperatura média. Não é necessário untar a forma (os biscoitos têm muita manteiga e não grudam).

4. Faça bolinhas com a massa (não precisam ficar perfeitas. Pode-se usar um pegador de sorvete) e coloque-as bem espaçadas na forma (pelo menos 10 cm entre uma e outra). Asse por 18 a 20 minutos, até ficarem de um tom marrom-dourado mas ainda macios. Deixe esfriar pelo menos 5 minutos antes de retirar da forma. Coma mornos, com um grande guardanapo.

Notas:
1 – A receita do NY Times sugere polvilhar um pouquinho de sal marinho sobre as bolinhas antes de assar. Isso é algo que ainda não experimentei, mas se alguém de sentir aventureira…

2 – Boa parte das informações (e a receita) foram retiradas deste site.

Congelar separadamente.

3 – Não use chocolate ao leite. Confie em mim: a massa do biscoito é MUITO doce.

4 – Para congelar sugiro o congelamento em aberto. Primeiro faça as bolinhas coloque uma ao lado da outra (quase juntas) em uma travessa e leve ao congelador. Quando elas estiverem duras, pode passá-las para um saco, pois não tem perigo delas colarem. Se for congelar a massa inteira (sem fazer as bolinhas) descongele-a na geladeira de um dia para o outro.

*Juliana Fisher é chef , formada pelo Senac/MG.

Bom dia!

Escrito por Lulubs

Adoro garrafinhas de cerveja que viram vasos =)

A salada do Zeeeeeeeeeeeeé!!!

Escrito por Pipoca

Agora vamos à receita da salada do Zé, isto é, a “salada Zéasar”. É muito fácil de fazer e nada mais é do que uma salada Ceasar reinventada por mim. Eu acho que ficou muuuito mais gostosa.
Esses são os ingredientes de uma salada Ceasar original:
Salada
• alface americana lavada, higienizada e picada grosseiramente
• 1 peito de frango sem osso, temperado, grelhado e picado em tiras (opcional)
• 1 xícara de parmesão ralado grosseiramente
• 2 xícaras de croutons bem crocantes (feitos com pão de forma sem casca)

Molho
• 1/2 xícara de óleo (milho, canola ou girassol)
• 1/2 xícara de azeite de boa qualidade
• 1 gema
• 2 dentes de alho amassados
• 5 filés de anchovas
• 2 colheres de sopa de maionese caseira
• 1 colher de sopa mostarda
• 1 colher de sopa de suco de limão

Toques by Pipoca

Acrescentei manga cortada em fatias. Aliás, foi o @oprimo quem descascou e cortou a manga de sua própria salada. Vendo que eu estava toda atrapalhada nesse processo, ele se ofereceu para me ajudar e eu achei justo. Afinal, a salada era para ele mesmo… Como algumas pessoas não gostam muito de manga em salada, concentrei em um lado só da saladeira na hora de montar. Mas, no fim, nem seria necessário. A manga teve uma ótima aceitação.

Ah, sim! Antes de grelhar o frango (que já comprei temperado), eu passei um pouquinho de mostarda Dijon e ficou muito saboroso. Tanto que houve quem (Bê) beliscasse o frango muito antes de a salada ficar pronta. Também coloquei na frigideira dois peitos de frango em vez de um. Éramos 8, né?
Mais um toque: tomates cereja. Eu adoro!

No molho, em vez de colocar metade óleo e metade azeite, coloquei tudo de azeite. O azeite que usei foi um espanhol extravirgem bacanudo. É imperioso que o azeite seja bom, ele faz a diferença em qualquer prato!
Antes de acrescentar a gema no molho, eu cozinheiro o ovo, coisa que a receita não previa. (Sim, a receita previa a gema crua). Na verdade, cozinhei os ovos, porque foram duas gemas.
O alho e a anchova, que também faziam parte do molho… bem… não trabalhamos com alho e anchova. A @lulubs não gosta de alho de jeito nenhum e eu não acho que colocar anchova poderia ser uma boa ideia. Então, no lugar desses ingredientes, caprichei no parmesão, que eu adoro. Isso quer dizer que teve parmesão no molho e na salada. Não saberia dizer o quanto de parmesão que coloquei, fui testando até encontrar a medida certa. Nesse caso, em vez de uma xícara de chá de parmesão, pode considerar mais 2.
Em vez de colocar 2 colheres de sopa de maionese caseira, coloquei três de iogurte natural, que estava dando sopa na geladeira da @lulubs e foi uma ótima ideia. A mostarda que usei foi a Dijon, que é a minha preferida. Ela é um pouco mais forte do que as mostardas comuns, mas é mais saborosa também.
O veredito: como troquei a maionese pelo iogurte e a anchova pelo parmesão, o resultado foi um molho com uma consistência estranha, aspecto mais estranho ainda, mas muito mais leve e saboroso do que um molho Ceasar comum.
Quando digo “aspecto estranho” bota estranho nisso. Mas no fim, todo mundo gostou. Estava um calorão danado e acho que a salada foi um equilíbrio para os outros pratos, que eram quentes.
Crianças, tentem fazer isso em casa e abusem da sorte na hora de criar molhos para salada. Nessas horas nascem as melhores descobertas. Aliás… qual é mesmo a história do sorvete?

Doce, Sweet, Sucré, Dolce e Dulce.

Escrito por

Hoje eu decidi falar de uma coisa muito gostosa e que a gente consegue saborear por uma boa parte da vida, mas que não é algo de comer. Esse post é dedicado especialmente às vovós… Quer coisa mais gostosa?

Esse final de semana fez um ano que a minha última avó faleceu. Seu nome fazia jus à pessoa: Dulce. Doce em espanhol. Esse post vai falar dela e dos sabores que os vovôs e vovós deixaram na minha vida. Como eu ainda não tenho 85 anos de histórias pra contar, vou começar pelos 28 que eu passei com ela…

No início, foi assim: ao nascer eu tinha dois avós e dois avôs. O meu avô por parte de mãe se chamava Odeto (ou Tot) e eu só o vi uma vez. Ninguém gostava muito dele. Apesar de ele ser muito inteligente e um exímio pedreiro, ele aprontou algumas com a minha avó e ela, junto com as filhas, resolveram se separar dele numa época onde isso era bastante condenável, principalmente na provinciana Belo Horizonte.

Já os meus avós por parte de pai vieram da roça, moraram grande parte da vida no interior e se mudaram para a capital quando já estavam casados e com os primeiros filhos. Meu avô, José, sempre foi aquele avozão… Hoje, ele está com 90 anos e vive em Beagá com meu pai. Ele é aquele avô que descasca a laranja sem partir a casca, que almoça às 12hs e janta às 18hs, todos os dias. Que tem algumas manias, de avô mesmo, como reclamar do barulho.  Eu me lembro que ele usava pinico debaixo da cama (eca), um velho hábito do interior, para quando se queria ir ao banheiro no meio da madrugada e não existia um dentro de casa. Enfim, ele é daquele tipo de avô que sempre vai ganhar de você no buraco. Ele é um daqueles românticos incorrigíveis, que chora com romances, lê livros da Bárbara Cartland (de banca de revista) e decora poesias famosas para recitar para você, na sua próxima visita.

Já as mulheres da minha família sempre foram as mais duronas (e essa referência nem sempre é boa, acreditem). A minha avó, Maria, mãe do meu pai, sempre foi aquela que resolvia tudo. Teve cinco filhos e seu sonho era ser mãe de uma menina. Daí eu fui morar com ela, quando a minha mãe morreu. Lá, sem perceber, eu aprendi que as coisas boas que a gente vive sempre deixam um sabor gostooooso na lembrança. Com ela, aos 9 anos, eu dei os meus primeiros passos na cozinha. Aprendi a fazer pão de queijo, broa, rosquinha de nata, pamonha, mingau de milho, pé de moleque e feijão na panela de ferro. Não deu tempo de aprender a fazer a caçarola italiana, que era tradicional no natal… ela ainda era difícil para mim e não sobrou a receita para contar a história. Minha avó paterna faleceu alguns anos depois, mas o cheirinho daquela cozinha me acompanha até hj… Afinal, aquele era um tempo em que ela era o tempero de tudo ao meu redor.


Mas como tudo o que é mais importante a gente deixa pro fim, nesse post não poderia ser diferente. Quero apresentar a vocês a pessoa que se tornou a coisa mais gostosa e especial da minha vida: a vovó Dulce. Doce no nome, no rosto, na essência. Posso dizer que ela terminou de me criar. Fui morar com ela e com minhas tias aos 13 anos e só saí com 25. Sabe aquela senhorinha com cara de vovó. Pois é. A dona Dulce era assim, sempre fazia de tudo para proteger a cria… não adiantava mexer com a gente não. d:-)

As lembranças mais marcantes que eu tenho dela começaram quando eu tinha seis anos… Minha mãe ficava brava por ela me deixar ganhar no ludo e na dama (e suspeito que foi ela quem despertou meu instinto competitivo… um pouco mais evidente nos dias de hoje). Ela gostava de ouvir as músicas tortas e descompassadas que eu tentava tocar num piano que eu tinha ganhado. Ela me ensinou uma oração e foi a primeira que eu decorei (Sabe aquela coisa: “Santo anjo do senhor…”). Era ela quem me dava refrigerante escondido para eu terminar de comer o que ainda restava no prato, tudo para não ter confusão na mesa.

Na sétima série, era ela quem me ditava os textos para passar a limpo nos meus cadernos bagunçados da escola. Juntava as moedas ou “pratinhas” para me ajudar a pagar todos os “xeroxes” da faculdade. Foi ela quem elegeu uma santa protetora para mim (em homenagem a minha mãe) e era sempre ela quem deixava, “sem querer”, uma medalhinha de Santa Terezinha na minha mala, durante as minhas viagens de trabalho.

Ela se preocupava com todo mundo, mas dentro de casa os meninos sempre eram os mais protegidos.

Bolinho de arroz

Os cheiros sempre foram uma característica marcante da vovó Dulce.  Se eu começar pela cozinha, posso dizer que a dela sempre tinha um cheirinho de café, de pudim ou de gelatina. Bolo de macarrão era o cheiro tradicional do domingo. Além dele, havia sempre bolinhos de arroz e bife (eu torcia sempre para que eles fossem feitos a milanesa). Sabe aqueles biscoitos importados, amanteigados e embalados em latas decorativas? Para mim, eles ainda têm gosto de natal com a vovó. É que ela adorava e sempre dividia comigo os que ela ganhava nessa época do ano.

Fora da cozinha, a vovó sempre usava uns cheirinhos mais caros. Ela adorava sabonetes líquidos, cremes e perfumes suaves. E esse cheirinho sempre foi a minha desculpa para usar os perfumes e cremes que ela tinha no guarda-roupa. Um dos cheiros que ela mais gostava era do perfume Banho de Chamma, da Chamma da Amazônia. Para vocês terem uma idéia, é um perfume que é feito com a infusão de raízes brasileiras envelhecidas (patchouli, priprioca, cumaru, pataqueira, catinga de mulata, oriza e erva chama), misturadas em uma base de lavanda. Ela descobriu esse perfume quando eu fui a Manaus e trouxe um desses pra ela. Por causa dessa pequena paixão, tive que dar um jeito de passar por lá mais algumas vezes.  Vovó vaidosa? Um pouco. Algumas vezes a vi reclamando das rugas e do cabelo sem corte. Nada muito grave.

Era bom andar com ela na rua, todos gostavam dela de graça, sem esforço… O sorriso estava sempre ali, a simpatia, a elegância e a doçura encantavam vizinhos, vendedores, trocadores e motoristas de ônibus, crianças e pessoas desconhecidas. Vocês acham exagero? Perguntem então para qualquer pessoa tenha conhecido a dona Dulce. Até as minhas amigas a adotavam como avó, mesmo contra a minha vontade.

Além da simpatia, ela não negava conselhos. Uma sabedoria simples e carinhosa que, aos poucos, se transformou em frases clássicas, que marcaram épocas e viraram receitas para a vida de muita gente: “o silêncio é a base da prosperidade minha filha”, “Se não está dando certo, entregue pra Deus que ele resolve”, “Nossa senhora te abençõe!”, “Está tudo certo, Deus sabe o que faz e a gente não sabe o que diz”. Doce, não?

Assim também são os cheiros, os gostos, as lembranças dela… Doces e ternas. A dica que fica, depois de algumas experiências de vida, é sempre a mesma: saboreie as pessoas que você ama. Escolha os gostos, cheiros e sabores que você quer guardar na memória. Perder esse tempo é errar na receita e deixar passar o ponto.  E o tempo é um ingrediente que não se acha para comprar, mas dá pra dividir com quem vale a pena!

Trouxinhas de roquefort e nozes

Escrito por Lulubs
Receita do amigo secreto do ECDB
Meu amigo: Bê
Prato: Trouxinhas de queijo roquefort e nozes ao molho de pêra
Justificativa: A Bê é uma pessoa, assim, mineira, que adora queijo. E ela é uma pessoa, assim, chata, que gosta de comida bonita. Se estiver feia ou ela não for com a cara, ela não come.
Resolvi arriscar esse prato, com a receita saída das profundezas da minha cabeça. A Bê disse que gostou. Me conforta saber que ela é uma pessoa, assim, muito sincera.
A receita prô’cês.
Massa
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 ovos
2 xícaras (chá) de leite
2 colheres (café) de sal
uma pitada de noz moscada
Bata tudo no liquidificador. Unte uma frigideira com manteiga e frite os discos bem fininhos, usando como medida uma
concha. O ideal é que você deixe dourar apenas um dos lados.
Recheio
200g de queijo roquefort (você pode usar mais, se desejar uma trouxinha mais gordinha).
nozes picadas a gosto
umas 3 colheres (sopa) de creme de leite, para ajudar a dar liga.
Misture tudo. Tá pronto.

Molho de pêras

Molho
2 pêras macias e maduras, sem sementes e sem casca, batidas no liquidificador.
1 talinho de salsão picadinho. Lembre-se de não usar a parte branca do talo, ok?
Azeite
1 colher de chá de açúcar
1 pitadinha de sal
Pimenta rosa para decorar
Refogue o salsão no azeite. Coloque as pêras batidas, o sal e o açúcar. Mexa e deixe no fogo para apurar um pouco.
Pode ser necessário ajustar a quantidade de açúcar no final – o molho é meio docinho.

Trouxinhas montadas

Montagem
Coloque o recheio no centro do disco, deixando a parte dourada para fora. Una todas as suas pontas, formando uma trouxinha. Para amarrar, você pode usar cebolinhas ou ciboulettes, que devem ser escaldadas previamente.
Na hora de servir, coloque o molho ao lado da trouxinha com alguns grãos de pimenta rosa por cima. Não é necessário servir o prato quente. Ele fica bom frio também.

Espero que você também goste. Como a massa é bem versátil, dá para testar vários recheios.

Use sua criatividade e bom apetite =)

Lulubs

O dia em que a Pipoca foi para a cozinha

Escrito por Pipoca

Sim, eu fui para a cozinha. E não foi uma cozinha qualquer. Foi a cozinha da Magali (Lulubs).
Não, eu não sou cozinheira, nem quis envenenar ninguém. O motivo foi mais do que especial: o Amigo Secreto do ECDB descrito pela Lulubs no último post dela.
E preciso dizer que fiquei muito orgulhosa e feliz com o resultado, não só do que preparei, como de todo o evento.
Para começar, precisei escolher o presente do meu amigo (a) secreto (a) e, acredite, com a Lulubs e a Suspiro (Bê)mandando sempre tão bem, não foi uma escolha fácil. A minha sorte é que meu amigo (a) secreto (a) é nerd master e tem um dossiê.
Acessem: http://www.gebh.net/oprimo/
Demorou um tempo para cair a ficha sobre a existência do blog do @oprimo, mas já foi meio caminho andado (nem tanto, porque o fim da estrada de tijolos amarelos não é ali na esquina não). Encontrei posts de 5 anos atrás em que ele diz que sentiria falta de biscoitos e chickens empanados do Canadá. Há também um momento em que ele diz que está com desejo de comer Tiramissu. E há também um comentário mais ou menos assim: “o céu existe, ele é feito de pudim de leite”.
A princípio, o pudim de leite e o tiramissu foram a minha 1ª escolha, mas aí vieram as dificuldades: esses doces precisam ficar hooooras na geladeira, o queijo mascarpone é muito caro e difícil de encontrar e eu ainda correria o risco de tranformar meu lindo doce em um suflê de chuchu, porque nunca fiz isso na vida.
No fim, encontrei um momento em que @oprimo diz que ele e Suspiro comeram no Canadá “um pouco mais do nosso vício: caesar salad, a salada mais besta (e mais gostosa) que tem.” Palavras de @oprimo, seja feita a vossa vontade, assim seja, amem. Achei fofo e especial os dois no Canadá compartilhando uma coisa simples, mas que gostam tanto e lá fui eu preparar a receita da salada mais besta e mais gostosa, com alguns toques by PopCorn. Mas a receita fica para o próximo post, pois este aqui já está muito longo.
O que eu gostaria é de dizer que fiquei muito muito muito orgulhosa e feliz com o resultado.
1) O capricho e o carinho da Lulubs, que nos cedeu sua casa, preparou cupcakes fofos, fez patês para nos esperar, fez barquinhos de papel (um papel lindo!!!) para colocar amendoins, acendeu velas e, por fim, a surpresa: doces de maçã e abóbora em vidrinhos lindos que ela decorou com tecido e com palavras nossas aqui do blog no rótulo. Uma princesa!
2) A Suspiro, que foi quem me tirou como amiga oculta. Sorte minha! Ela preparou um bolo maravilhoso pra mim, receita da Cora Coralina e incrementado por ela, recheado de amoras, com cobertura de chocolate e pipocas. Sim, pipocas! E eu nem ouvi o barulho delas estourando porque estava encharcada de vinho e cantando feito uma maluca na cozinha. Mas ela vai dar mais detalhes sobre o manjar dos deuses no post dela. Amei!!!
3) A Duli Tabuli, que “não sabe fazer um quibe” e nunca escreveu um post no blog, mas fez um manjar cubano que, assim, ficou divino!!!
4) Os meninos… intimados a participar das nossas maluquices e mandaram tão bem que até parecia que eles cozinham todos os dias. @oprimo fez até a massa do alfajor que ele preparou e Chê fez o melhor yakissoba que já experimentamos.

Enfim, vou guardar com muito carinho e água na boca esse dia! Que seja o primeiro de muitos!
Um beijo, galerinha do ECDB!!! Vocês brilham muuuito na cozinha!!!
Beijos doces!