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Doce, Sweet, Sucré, Dolce e Dulce.
Escrito por Bê
Hoje eu decidi falar de uma coisa muito gostosa e que a gente consegue saborear por uma boa parte da vida, mas que não é algo de comer. Esse post é dedicado especialmente às vovós… Quer coisa mais gostosa?
Esse final de semana fez um ano que a minha última avó faleceu. Seu nome fazia jus à pessoa: Dulce. Doce em espanhol. Esse post vai falar dela e dos sabores que os vovôs e vovós deixaram na minha vida. Como eu ainda não tenho 85 anos de histórias pra contar, vou começar pelos 28 que eu passei com ela…
No início, foi assim: ao nascer eu tinha dois avós e dois avôs. O meu avô por parte de mãe se chamava Odeto (ou Tot) e eu só o vi uma vez. Ninguém gostava muito dele. Apesar de ele ser muito inteligente e um exímio pedreiro, ele aprontou algumas com a minha avó e ela, junto com as filhas, resolveram se separar dele numa época onde isso era bastante condenável, principalmente na provinciana Belo Horizonte.
Já os meus avós por parte de pai vieram da roça, moraram grande parte da vida no interior e se mudaram para a capital quando já estavam casados e com os primeiros filhos. Meu avô, José, sempre foi aquele avozão… Hoje, ele está com 90 anos e vive em Beagá com meu pai. Ele é aquele avô que descasca a laranja sem partir a casca, que almoça às 12hs e janta às 18hs, todos os dias. Que tem algumas manias, de avô mesmo, como reclamar do barulho. Eu me lembro que ele usava pinico debaixo da cama (eca), um velho hábito do interior, para quando se queria ir ao banheiro no meio da madrugada e não existia um dentro de casa. Enfim, ele é daquele tipo de avô que sempre vai ganhar de você no buraco. Ele é um daqueles românticos incorrigíveis, que chora com romances, lê livros da Bárbara Cartland (de banca de revista) e decora poesias famosas para recitar para você, na sua próxima visita.
Já as mulheres da minha família sempre foram as mais duronas
(e essa referência nem sempre é boa, acreditem). A minha avó, Maria, mãe do meu pai, sempre foi aquela que resolvia tudo. Teve cinco filhos e seu sonho era ser mãe de uma menina. Daí eu fui morar com ela, quando a minha mãe morreu. Lá, sem perceber, eu aprendi que as coisas boas que a gente vive sempre deixam um sabor gostooooso na lembrança. Com ela, aos 9 anos, eu dei os meus primeiros passos na cozinha. Aprendi a fazer pão de queijo, broa, rosquinha de nata, pamonha, mingau de milho, pé de moleque e feijão na panela de ferro. Não deu tempo de aprender a fazer a caçarola italiana, que era tradicional no natal… ela ainda era difícil para mim e não sobrou a receita para contar a história. Minha avó paterna faleceu alguns anos depois, mas o cheirinho daquela cozinha me acompanha até hj… Afinal, aquele era um tempo em que ela era o tempero de tudo ao meu redor.

Mas como tudo o que é mais importante a gente deixa pro fim, nesse post não poderia ser diferente. Quero apresentar a vocês a pessoa que se tornou a coisa mais gostosa e especial da minha vida: a vovó Dulce. Doce no nome, no rosto, na essência. Posso dizer que ela terminou de me criar. Fui morar com ela e com minhas tias aos 13 anos e só saí com 25. Sabe aquela senhorinha com cara de vovó. Pois é. A dona Dulce era assim, sempre fazia de tudo para proteger a cria… não adiantava mexer com a gente não. d:-)
As lembranças mais marcantes que eu tenho dela começaram quando eu tinha seis anos… Minha mãe ficava brava por ela me deixar ganhar no ludo e na dama (e suspeito que foi ela quem despertou meu instinto competitivo… um pouco mais evidente nos dias de hoje). Ela gostava de ouvir as músicas tortas e descompassadas que eu tentava tocar num piano que eu tinha ganhado. Ela me ensinou uma oração e foi a primeira que eu decorei (Sabe aquela coisa: “Santo anjo do senhor…”). Era ela quem me dava refrigerante escondido para eu terminar de comer o que ainda restava no prato, tudo para não ter confusão na mesa.
Na sétima série, era ela quem me ditava os textos para passar a limpo nos meus cadernos bagunçados da escola. Juntava as moedas ou “pratinhas” para me ajudar a pagar todos os “xeroxes” da faculdade. Foi ela quem elegeu uma santa protetora para mim (em homenagem a minha mãe) e era sempre ela quem deixava, “sem querer”, uma medalhinha de Santa Terezinha na minha mala, durante as minhas viagens de trabalho.
Ela se preocupava com todo mundo, mas dentro de casa os meninos sempre eram os mais protegidos.
Os cheiros sempre foram uma característica marcante da vovó Dulce. Se eu começar pela cozinha, posso dizer que a dela sempre tinha um cheirinho de café, de pudim ou de gelatina. Bolo de macarrão era o cheiro tradicional do domingo. Além dele, havia sempre bolinhos de arroz e bife (eu torcia sempre para que eles fossem feitos a milanesa). Sabe aqueles biscoitos importados, amanteigados e embalados em latas decorativas? Para mim, eles ainda têm gosto de natal com a vovó. É que ela adorava e sempre dividia comigo os que ela ganhava nessa época do ano.
Fora da cozinha, a vovó sempre usava uns cheirinhos mais caros. Ela adorava sabonetes líquidos, cremes e perfumes suaves. E esse cheirinho sempre foi a minha desculpa para usar os perfumes e cremes que ela
tinha no guarda-roupa. Um dos cheiros que ela mais gostava era do perfume Banho de Chamma, da Chamma da Amazônia. Para vocês terem uma idéia, é um perfume que é feito com a infusão de raízes brasileiras envelhecidas (patchouli, priprioca, cumaru, pataqueira, catinga de mulata, oriza e erva chama), misturadas em uma base de lavanda. Ela descobriu esse perfume quando eu fui a Manaus e trouxe um desses pra ela. Por causa dessa pequena paixão, tive que dar um jeito de passar por lá mais algumas vezes. Vovó vaidosa? Um pouco. Algumas vezes a vi reclamando das rugas e do cabelo sem corte. Nada muito grave.
Era bom andar com ela na rua, todos gostavam dela de graça, sem esforço… O sorriso estava sempre ali, a simpatia, a elegância e a doçura encantavam vizinhos, vendedores, trocadores e motoristas de ônibus, crianças e pessoas desconhecidas. Vocês acham exagero? Perguntem então para qualquer pessoa tenha conhecido a dona Dulce. Até as minhas amigas a adotavam como avó, mesmo contra a minha vontade.
Além da simpatia, ela não negava conselhos. Uma sabedoria simples e carinhosa que, aos poucos, se transformou em frases clássicas, que marcaram épocas e viraram receitas para a vida de muita gente: “o silêncio é a base da prosperidade minha filha”, “Se não está dando certo, entregue pra Deus que ele resolve”, “Nossa senhora te abençõe!”, “Está tudo certo, Deus sabe o que faz e a gente não sabe o que diz”. Doce, não?
Assim também são os cheiros, os gostos, as lembranças dela… Doces e ternas. A dica que fica, depois de algumas experiências de vida, é sempre a mesma: saboreie as pessoas que você ama. Escolha os gostos, cheiros e sabores que você quer guardar na memória. Perder esse tempo é errar na receita e deixar passar o ponto. E o tempo é um ingrediente que não se acha para comprar, mas dá pra dividir com quem vale a pena!
O prato do meu amigo(a) secreto(a)
Escrito por BêA Lulubs contou, no último post, como foram as regras do amigo secreto das ECDB’s, no final do ano. E para continuar essa história, eu vou começar contando como foi a preparação do que eu fiz para o meu amigo(a) secreto(a).
Há algum tempo eu fui, com uns amigos de BH que estavam aqui em SP, no Museu da Língua Portuguesa.
Lá eu encontrei uma homenagem à Cora Coralina com livros, fotos e manuscritos dela. Dentre eles estava um livro de receitas que, obviamente, foi fotografado.
Essa receita foi o ponto de partida para o meu prato especial. E esse prato tinha alguns pré-requisitos para cumprir:
1) Tinha que ter chocolate (o meu amigo(a) só corta o cabelo em troca de um petit gateau)
2) Tinha que ter pipoca (uma homenagem literal ao seu apelido)
3) Tinha que ser doce (já que a pessoa troca o almoço pela sobremesa)
Assim, comecei a fazer a primeira parte: o bolo da Cora Coralina. Eu rezava para dar certo, pois não deu tempo de testar a receita antes do amigo secreto. Mas a Cora Coralina tinha cara de “vó” e nenhuma avó de verdade erra na receita de bolo. E, assim, o bolo ficou com uma massa deliciosa. 
Para o recheio, busquei ajuda com a mãe de um amigo meu, A Fátima Yamada. Ela é a pessoa que faz a melhor trufa e o melhor bolo de chocolate que eu conheço. E, apesar de morar em Floripa, as coisas dela fazem tanto sucesso que ela já entrega encomendas para vários lugares do Brasil. Enfim, do bolo que ela faz eu peguei o recheio de chocolate emprestado para colocar no meu prato.
O meu toque ficou apenas na criatividade de colocar a pipoca doce para decorar.
E nessa hora, na cozinha da Lulu, eu descobri outro pré-requisito que faltou na lista: tinha que ser um prato que mostrasse o lado “voado” e distraído do meu amigo. É que eu fiz toda a pipoca com a galera cantando na cozinha,e todo mundo percebeu quem era a minha a amiga secreta, menos ela.
Eu estourei pipocas, decorei o bolo e só no final ela conseguiu perceber …rs… só quando estava óbvio.
Para quem não sabe pipoca em espanhol é “palomita”, daí o apelido para Paloma Leite.
E ficou assim, o bolo foi a sobremesa mais cobiçada do jantar pelas donas da casa que deram todo o apoio para que o ele ficasse no ponto certo!
Ps: A receita do bolo vai estar no próximo post, depois da aprovação da Cora para publicação.
Bolinho de bacalhau: deu certo de primeira!
Escrito por Bê
Foto by OPrimo
Tudo começou com alguém que foi fazer supermercado com fome, viu uma bandejinha de bacalhau dando sopa e pensou, bem que podia rolar um bolinho, né? Cheguei em casa e entrei nos sites de receita para buscar uma que muitas pessoas já tivessem testado com sucesso. Fui no Tudo Gostoso, Mais Você, Cyber Cook e reuni as melhores dicas de cada um, incluindo os comentários das pessoas que já tinham feito.
Além disso, resolvi substituir os ovos inteiros pelas claras que eu já tinha na geladeira… Daí surgiu uma nova receita, que depois de pronta garantiu a sua vaga no caderno de coisas fáceis de fazer daqui de casa.
Itens:
- 500gms de bacalhau
- 500 gms de batata cozinha e amassada (como se fosse para purê)
- 3 claras em neve
- Salsa e cebolinha
- Alho (É Lulu… eu sei que você vai tirá-lo da receita, mas dá um gostinho bem bom!)
- Farinha de trigo (para dar o ponto de enrolar)
Como fazer:
- Coloque o bacalhau na água e deixe no fogo até que a água ferva. Coe e coloque de novo no fogo. Faça isso umas três vezes para tirar o sal.
- Cozinhe as batatas, esprema e coloque na geladeira. Para fazer a massa você vai precisar das batatas frias.
- Bata as claras em neve (A minha mãe escreveu no livro de receitas dela que a clara em neve ajuda a deixar a fritura mais sequinha… Na dúvida, faça. Peça ajuda, se precisar. Eu, por exemplo, pedi a ajuda do OPrimo para bater na mão a clara em neve e ficar testando se o ponto da clara está certo ao virar a vasilha de cabeça pra baixo. ..rs..rs.. Ficou certinho, à la Top Chef)
- Depois de tirar o sal do bacalhau, desfie ou use o processador para desfiá-lo.
- Numa vasilha grande, misture o bacalhau, a batata, a salsa e a cebolinha, o alho e coloque sal a gosto.Depois, misture a clara em neve e vá colocando a farinha de trigo até a massa dar ponto para enrolar. Não precisa de muita farinha não…
- Daí, é só fritar em óleo bem quente.

Foto by OPrimo
Olha só a carinha dele! Ficou bem gostoso e sequinho.
Duas coisas que eu li nos comentários das pessoas nos sites e que eu acho importante para estarem aqui são:
1) Não usar cebola ao temperar o bolinho. Disseram que ela ajuda a abrir a massa na hora de fritar. Não sei se é verdade mas, na dúvida, não coloquei.
2) Massas de bolinho que levam muitos ovos ficam enxarcarcadas durante a fritura.
Ah! Não levem em consideração esse vinho da foto… ele não foi uma boa escolha para acompanhar o bolinho!
Acho que era isso… Viu? Super simples.
Muito ácido?
Escrito por BêReceitas, línguas e molhos ácidos demais?
Seguem algumas dicas para acabar com a acidez sob qualquer ponto de vista…
Bicabornato: use uma pitada nos molhos a base de vinho - Testado com sucesso!
Açúcar: funciona para tirar a acidez de receitas em geral - Testado com sucesso!
Cenoura: indicado para molhos de tomate (Dica da Lulubs!) - Testado com sucesso!
Azeite com óleo de nozes: utilize em molhos que tenham ingredientes ácidos (Dica do blog Culinária e Receitas) - Em fase de testes!
Sumo do Limão: use no combate à acidez de estômago (não acaba com a causa da acidez no estômago… ex: seu chefe, sua familia, seu professor, etc) - Testado com sucesso!
Café com Dilbert: acesse durante os dias mais críticos. Ele ensina como saborear a mediocridade das empresas - Testado com sucesso!
Ironia: em doses sutis pode substituir a paciência nas situações mais críticas – Testado com sucesso!
Sinto que vão jogar tomates ácidos e figurados nesse post… mas ainda bem que já sabemos o que fazer para resolver isso, né?
d:-)
Sal
Escrito por BêDomingo, família de amigos, “causos” da semana, macarronada e café.
E faltou o sal.
Uma falta grave,
uma falta imensa de sal.

E se não há sal não há sabor na macarronada, nem tempero nas conversas, o queijo não cura, nada se cura sem sal.
É preciso voltar pro fogo, provar de novo e deixar no ponto. O sal conserva o gosto.
Salmoura para curtir a vida. Preservar, não deixar estragar…
Sem o sal tudo se perde, vence. Perde e vence, como na vida mesmo…
Por último, o café. Sem leite. Com vapor. Para embaçar o vidro da janela e esconder a paisagem cinza de sempre.












